Nome Parlamentar
Ativo na Casa?
Nome Completo
Participações em Mesas Diretoras
- Presidente - 02/1981 a 01/1983
- Vice-Presidente - 02/1979 a 02/1981
- Presidente - 02/1979 a 02/1981
Biografia do Parlamentar
Pela casa legislativa de Jataí já passaram vereadores com as mais variadas e até estranhas formas de fazer política. Historicamente, o que mais chama a atenção é aqueles radicalistas puro-sangue, os que se esforçavam para atingir seus adversários, deixando de lado práticas do diálogo, do entendimento, tudo aquilo que ensina o bê-á-bá da boa política.
Em vista dessas anomalias, a câmara de vereadores já foi palco de cenas deprimentes, dignas do coronelismo da Velha República, interpretadas por parlamentares com temperamento à flor da pele, que se achavam donos da verdade. Esses chegavam às sessões, sem a menor cerimônia, dispostos a fazer valer suas investidas, escorados em pesadas armas bem municiadas, ao invés apoiar-se no bom senso. Pra eles, bom senso era coisa de puritanos.
Sem precisar ir muito longe, pode-se lembrar do vereador Sidney Ferreira, o mais expressivo oposicionista da história do pessedismo de Jataí. Sidney, udenista por convicção, possuía uma personalidade forte, observada até no seu semblante. Homem de poucas palavras, mas contundente nas afirmações. Esse comportamento lhe conferiu respeitabilidade e uma áurea de liderança, principalmente entre os que o rodeavam.
Esse cidadão era um político respeitador, sobretudo respeitado, inclusive pelas lideranças adver-sárias. O grande pes-sedista Serafim de Carvalho, seu contemporâneo de muitos anos, o reconhecia nesse patamar, pois sabia do seu valor político. Eram amigos, mas cada um no seu canto.
Na época do Sidney na Câmara, volta e meia surgiam conflitos nas sessões, mas, por pertencer à minoria na casa, o alcance das discórdias morria ali mesmo.
A 9ª Legislatura teve início em primeiro de fevereiro de 1977. Mais na frente, em fevereiro de 1981, já sem Sidney no elenco, os vereadores encenaram um episódio vexatório, ridículo e deprimente, jamais presenciado na Câmara de Jataí. Conflitos constantes e menores já vinham desde o início.
O objetivo da sessão era renovar a Mesa Diretora e na presidência dos trabalhos, inexpli-cavelmente, indicaram o vereador emedebista Lindomar Rezende Silva, o mais bem votado para aquela legislatura.
Lindomar, como muitos sabem, é uma criatura humilde, muito carismático, canta muito bem e se mostra amigo de todos, enquanto vende seus CDs. Mas na arte de fazer política estava muito aquém do desejável. Na verdade, ser vereador para o 'Irmão', não era seu terreiro. No entanto, sua popularidade o elegeu com um número invejável de votos.
Naquele início de fevereiro, o Vereador Eurípedes Franco de Moraes se encontrava presente na plateia de volta de licença que a Câmara lhe concedera. Como era natural, pediu ao presidente que dispensasse seu suplente para que ele pudesse reassumir sua vaga. O presidente respondeu, após de algumas considerações.
- Que mesmo desrespeitando a lei não atenderia a sua pretensão.
Depois desse quadro hilário, o presidente ainda se recusou assinar a ata da sessão anterior, mesmo depois de aprovada.
O presidente, já com a cabeça a mil, do meio da assistência recebe pedido de dois suplentes para tomar posse já naquela sessão, baseando-se, segundo eles, no contingente eleitoral do município. Lindomar se mostrou decidido dar posse aos dois. Depois de o presidente ser alertado pelo plenário, quanto à ilegalidade do ato, pois a Câmara ainda não tinha orientação superior para novas vagas; depois de ameaçado de ser destituído da presidência naquela sessão, caso ele efetivasse as posses, Lindomar Rezende foi incisivo: Mesmo desrespeitando as leis darei posse neste momento aos mencionados suplentes (Zilah Amorim Carvalho Vieira e João Brás de Souza). Detalhe: a professora Zilah se encontrava na plateia e ali mesmo foi declarada empossada, sem a menor formalidade exigida para o ato. Essas intempestivas posses, segundo ficou registrado na ata: "atendia à determinação orientada pelo vereador arenista Luiz Alberto Vilela (Maguito)".
Nessas alturas, a pedido, a sessão foi suspensa por alguns minutos em duas oportunidades para arranjos entre os parlamentares. Na segunda vez, a sessão foi reaberta, mas com novo presidente. Lindomar Rezende fora destituído de suas funções e para seu lugar foi o vereador Areno Rocha, o segundo melhor votado.
Serenado os ânimos, a eleição para os membros da mesa foi realizada e o resultado apontou o vereador Eurípedes Franco de Moraes como o novo presidente.
Durante o ato, deixaram de participar da votação os vereadores Joviano Justino de Souza, Elita Maria de Carvalho Lima, Dolorita Macedo de Oliveira, Lindomar Rezende Silva e Luiz Alberto Vilela. Esses cinco parlamentares, além de se recusarem a votar, deixaram de comparecer temporariamente às sessões da câmara (dois meses). A eleição de Eurípedes Moraes para a presidência da casa teve desdobramentos inusitados a partir desse dia.
O primeiro deles, por sinal muito estranho, os vereadores do grupo de Eurípedes ficaram impedidos de realizar sessões no Palácio das Abelhas porque as fechaduras e chaves que dão acesso àquele recinto foram trocadas e, com isso, as sessões foram transferidas para as dependências da Associação Comercial e Industrial, fato comunicado à Justiça Eleitoral. Ao mesmo tempo, Eurípedes Franco de Moraes foi informado de que os parlamentares 'rebeldes' se organizaram e formaram outra câmara, convocando dois suplentes para dar aspecto de legal, sob a presidência da vereadora Elita Maria de Carvalho Lima.
Como medida para garantir o exercício da 'sua' câmara correspondência foi encaminhada ao Conselho de Contas do Estado, instalado na prefeitura, dando conta da composição da Mesa Diretora, quando informou: Queremos alertar a V. Exª que quaisquer decisões desse conceituado órgão ao reconhecer atos da suposta câmara, com apenas cinco vereadores, serão tidos como ilegais e para isso recorremos à justiça, consciente do amparo de nossos direitos.
Eurípedes de Morais exerceu a presidência da câmara no período de 1/2/1981 a 31/1/1983.
Analisando a documentação da câmara, desde sua reinsta-lação em dezembro de 1947, facilmente se pode notar que a nona legislatura, justamente dessa que estamos tratando, foi a mais barulhenta e conflituosa entre todas as outras, além de ser eleita a que mais bradou com palavras pesadas (para não dizer xingatório) a respeito de instituições, e principalmente contra o prefeito Mauro Bento. Esse descontrole emocional e verbal quase sempre partiu do vereador Eurípedes Moraes. Há trechos de textos nos livros de atas, que, embora de grande interesse da imprensa sensacionalista, não convém expô-los em respeito àqueles mesmos parlamentares.
Há um detalhe que precisa ser observado: assim que Moraizinho foi eleito presidente do legislativo, provavelmente o peso do cargo o desarmou de sua índole de belicoso, tornou-se um cordeiro dócil, manuseável, sereno.
Outro parlamentar que insurgia nos debates com veemência por vezes desmedidas era o Luiz Alberto Vilela. O fato de esse jovem ter entrado na política pela porta da antiga Arena e depois abandonar o barco e se acomodar no PMDB, ao lado do prefeito Mauro Bento, essa virada de página lhe custou severas e grosseiras críticas de colegas vereadores. De adversário violento do prefeito passou até a dizer que Mauro Bento fazia milagres ao executar obras com o equipamento rodoviário da Prefeitura já bastante avariado.
A eleição de Moraizinho para a presidência da câmara resultou em fatos inusitados, jamais acontecidos na história do legislativo de Jataí. Para se entender a que ponto chegou a discórdia entre aqueles parlamentares, basta ler um trecho de ata historiando em detalhes o ocorrido:
Aos dois dias do mês de abril de 1981, no horário de 19,20 horas, se achavam presentes no Palácio das Abelhas, no saguão que dá acesso ao recinto do Poder Legislativo Municipal os vereadores Antônio Soares Gedda, Areno Rocha Vieira, Eufrásio Pereira Rocha, Eurípedes Franco de Moraes Sebastião Bento de Moraes e William Cintra Vieira, representando a maioria, com a finalidade de dar sequência aos trabalhos legislativos do corrente mês com a realização da segunda sessão ordinária, ali permaneceram reunidos até o horário de 20,10 horas e, como as portas de acesso ao mencionado recinto se achavam trancadas, inclusive com fechaduras trancadas, cujas chaves se encontravam em poder do grupo de vereadores faltosos ou por funcionários por eles contratados, e que também aqui não se encontravam presentes, não foi possível a nossa entrada no local pertencente à Câmara Municipal de Jataí, razão pela qual o titular da presidência, vereador, Eurípedes Franco de Moraes, que, após a constatação de quorum, declarou, com a anuência de todos os presentes que a sessão de hoje fica considerada realizada, pois para aqui viemos com a finalidade de cumprirmos o nosso dever de lídimos representantes do povo. A seguir determinou à secretaria a colher no livro de presença o registro de comparecimento de cada componente desta casa, registrando também, as ausências dos demais, ou seja, dos vereadores Dolorita Macedo de Oliveira, Elita Maria de Carvalho Lima, Lindomar Rezende Silva, Joviano Justino de Souza e Luiz Alberto Vilela. Prosseguindo, nomeou uma comissão composta dos vereadores William Cintra Vieira, Sebastião Bento de Moraes e Antônio Soares Gedda a fim de elaborarem um laudo da ocorrência hoje constatada, qual seja, obstáculos de várias naturezas premeditadamente impostos desde a eleição da nova Mesa Diretora, realizada a primeiro de fevereiro do corrente ano; achavam-se ainda presentes em nossos trabalhos os cidadãos Manoel Vicente Ferreira, Areno Fernandes de Souza, Mauro Gonçalves Barbosa e Talabih Daher Muhmad que testemunharam as várias tentativas por nós empreendidas no sentido de conseguirmos adentramos o recinto da Câmara Municipal, além dos funcionários Márcio Ferreira e Augusto Rodrigues da Silva; problemas estes levados a efeito pelo já mencionado grupo de vereadores faltosos com suas presenças e obrigações que motivaram a constituição da referida comissão. De posse do laudo apresentado pela comissão, subscrito também pelas testemunhas apresentadas, o senhor presidente determinou à secretaria a confecção de ofícios em forma de requerimentos e com cópia do laudo da comissão, dirigidos ao Juiz Eleitoral da 18ª zona, Secretaria de Segurança Pública e Secretaria do Interior e Justiça em Goiás, ao Exmº Sr. Ministro da Justiça e, por fim, Sr. delegado de polícia local, ofício este em forma de representação, solicitando imediatas providências para abertura de inquérito policial, visando apurar a responsabilidade do fato que acabamos de constatar...
O político Moraizinho, no entanto ter alterado a temperatura das sessões da câmara durante sua gestão, foi um homem com uma biografia rica em realizações como parlamentar. Antes de encerrar seu mandato de vereador e concluído seu bacharelado em direito, em 1983 se transferiu para Goiânia, onde foi condecorado com o Título Honorífico de Cidadão Goianiense, numa propositura do vereador Daniel Vilela (PMDB). Esse jataiense exerceu também a assessoria parlamentar do presidente da CONAB. Nessa mesma época, tornou-se Diretor Administrativo do Goiás Industrial. Outro feito de Eurípedes foi candidatar-se à câmara de vereadores de Goiânia, mas não conseguiu se eleger. Um de seus projetos como vereador era criar a casa do jataiense na capital.